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10/07/2013

EMBAIXADOR NEGOU QUE EUA MONITORE LIGAÇÕES NO BRASIL, DIZ MINISTRO

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse que o embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon, negou a ele, durante encontro nesta segunda-feira (8), que o governo norte-americano espione telefonemas ou mensagens eletrônicas de brasileiros. Shannon se reuniu com Paulo Bernardo por cerca de 20 minutos na sede do ministério, em Brasília, e ao final, disse que o programa de monitoramento americano não foi apresentado de forma correta.

Reportagem do jornal “O Globo” publicada no domingo (7) afirma que, na última década, pessoas residentes ou em trânsito no Brasil, assim como empresas instaladas no país, se tornaram alvos de espionagem da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (National Security Agency - NSA, na sigla em inglês). Segundo a reportagem, não há números precisos, mas em janeiro passado o Brasil ficou pouco atrás dos Estados Unidos, que teve 2,3 bilhões de telefonemas e mensagens espionados.

Bernardo disse que Shannon admitiu que o governo dos EUA faz monitoramento de ligações e dados "a partir de fluxos internacionais, não em território brasileiro". O embaixador, ainda de acordo com o ministro, afirmou que a coleta de dados é feita por meio de metadados (número de ligações entre dois números, duração das chamadas e horário, entre outros), mas negou que os EUA tenham gravação de conteúdo de conversas telefônicas ou de mensagens.

Procurada pelo G1, a Embaixada dos EUA disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que não poderia confirmar o teor da conversa entre o embaixador e o ministro.

Bernardo disse que não chegou a perguntar a Shannon se ligações do Brasil para os EUA são monitoradas. “Mas eu desconfio que sejam”, completou o ministro. Bernardo disse que também não questionou o embaixador sobre interceptação de emails. “Todo mundo sabe que tem, vamos ser francos.”

Durante o encontro, o ministro perguntou ao embaixador se empresas brasileiras do setor de telecomunicação colaboram com algum sistema de monitoramento dos EUA. Perguntou também se agentes americanos operaram em Brasília uma central de coleta de informações.

“Ele [Shannon] disse que não existe nenhum convênio com empresa brasileira [para fornecer dados de ligações] e que também não existiu central de coleta de dados”, disse o ministro no final da tarde desta segunda.

Shannon chegou ao ministério por volta das 15h30 e evitou falar com a imprensa sobre as denúncias. Apenas criticou as reportagens publicadas. “Infelizmente, os artigos de ‘O Globo’ apresentaram uma imagem de nosso programa que não é correto [sic], então estamos trabalhando com os brasileiros para contestar as suas perguntas”, disse o embaixador ao deixar a sede da pasta.

 

Relações Brasil-EUA
Em entrevista mais cedo, pela manhã, Paulo Bernardo disse ainda não acreditar que a revelação da espionagem possa azedar as relações entre os governos de Brasil e EUA. De acordo com ele, o governo brasileiro terá “muita prudência” na investigação do caso, mas vai exigir explicações do governo norte-americano.

“Nós vamos trabalhar com muita prudência e tranquilidade. Acho que não tem motivo para isso [azedar as relações entre os dois países]. Por outro lado, temos que ser firmes e exigir transparência. Somos países amigos, mas isso não elimina a necessidade de exigirmos explicações”, disse.

O ministro disse ainda que o governo brasileiro vai aproveitar a polêmica provocada pela revelação das ações de espionagem do governo dos EUA para pedir apoio de outras nações à proposta de criação de uma agência multilateral de governança da internet. Essa atividade é hoje exercida por uma empresa norte-americana.

“Tem que ter uma mudança na governança da internet. Ela não pode ser regida por uma entidade privada americana quando a gente sabe que, na verdade, ela é controlada pelo governo americano”, disse ele.

 

Empresas negam participação
O presidente-executivo do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (Sinditelebrasil), Eduardo Levy, negou nesta segunda que companhias de telecomunicação que atuam no Brasil possam ter colaborado com espionagem dos EUA.

“Eu nego e é crime. Empresas brasileiras não podem fornecer dados de seus clientes a não ser por solicitação de juízes”, disse Levy.

De acordo com ele, não passam de “ilação” as suspeitas contra as empresas do setor. “É um absurdo. Há 50 anos que temos armazenamento de dados e nunca se armazena conversa de ninguém”, disse.

“A Anatel fiscaliza as empresas e nós não compactuamos com crime. Eu tenho 38 anos de telecom e nunca ouvi falar de nada parecido [com as ações de espionagem do governo dos EUA e a colaboração de empresas]”, completou Levy.

 

Fonte: Top News

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