Notícias

09/04/2015

“BRASIL PRECISA MUDAR FOCO DOS INVESTIMENTOS EM INOVAÇÃO”, APONTA SENADOR

A 64ª posição no ranking mundial de inovação elaborado pela Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI) não agrada a congressistas, tampouco ao Executivo. O distanciamento entre o desempenho deste segmento com a produção científica, no qual o País ocupa a 13ª colocação  na lista dos países com mais trabalhos publicados, também foi motivo de atenção dos tomadores de decisão nacional em relação à postura do País sobre a inovação.


Em audiência pública nesta terça-feira (7) na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCTCI) do Senado, o presidente do colegiado, Cristovam Buarque (PDT-DF), criticou o modelo de financiamento aplicado à inovação no País. Segundo ele, o Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico (BNDES), que desembolsou nos últimos anos cerca de R$ 1 trilhão, deveria ter uma estratégia clara, dotada de contrapartidas fortes, capazes de mudar a mentalidade do empresariado brasileiro.


“Temos que começar a orientar a aplicação de recursos públicos ao setor empresarial, comprometendo-os com a capacidade de realizar investimentos inovadores. O BNDES poderia virar um banco nacional da inovação. Isto seria bom para a economia e para o social. Hoje ele é praticamente zero do ponto de vista da inovação. Perguntei ao presidente [do banco] Luciano Coutinho quantas patentes foram conseguidas neste aporte de quase R$ 1 trilhão e ele não conseguiu responder”, explicou o senador pedetista.


Cristovam Buarque lembrou que países como a Finlândia e a Coreia do Sul implementaram quase uma revolução na inovação ao mudar o foco dos investimentos, privilegiando companhias desenvolvedoras de tecnologia de ponta.


“Estes países organizaram sua capacidade de recursos para financiar empresas inovativas. A Nokia [empresa finlandesa de telefonia móvel], que a gente ver esses celulares, fabricava papel higiênico. Aí passaram uma nova orientação: quer dinheiro? Quero. Mas ele não será para papel higiênico. Será aplicado no setor de telecomunicações. E isso funcionou. Na Coreia do Sul, foi a mesma coisa. Todos os produtos da LG que vemos por aí são fruto de financiamentos de governo”, lembrou Cristovam.


Na opinião do presidente da CCT do Senado, o modelo atual de incentivo às empresas não as estimula a serem inovadoras. Ele afirma que o BNDES precisa aportar recursos também para quem cria, não apenas para quem fabrica. “Não temos criação, apenas produção.  E isso é muito pouco.  Por isso, o BNDES  deveria prestigiar quem vai criar. Se não fizermos isso, vamos continuar fabricando aparelhos eletrônicos que os outros criaram”, argumentou Cristovam Buarque.


Banco para Inovação


Antigo desejo do ex-mandatário da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Glauco Arbix, a transformação da entidade em uma instituição financeira ganhou um aliado importante: o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Aldo Rebelo. Na opinião do dirigente, esta nova condição, poderia dar à Finep o montante necessário para ser um ente robusto para a inovação.


“A  Finep poderia se transformar em uma agência financeira com status de um banco para ter outras fontes de recursos para destinar à inovação”, comentou o ministro durante a audiência pública no Senado.


“No creo”


A insistência em se repassar  os investimentos em inovação majoritariamento para o  setor produtivo não é visto com bons olhos pelo presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Hernan Chaimovich. O dirigente  afirmou ser um mito que os países capitalistas deixem a inovação revolucionária ser financiada pelas empresas privadas.


“Se observar com cuidado, o grande investidor de risco é oriundo do setor público. E para isso é necessário ter muito dinheiro. A Finep tem a estrutura, mas não tem capital. Enquanto ela tiver este montante de recursos, o impacto de investimento em inovação será pequeno”, observou.


O presidente do CNPq foi mais além e também criticou os atuais instrumentos governamentais para a inovação. Ele explicou que os programas atuais não são suficientes para gerarem impacto neste setor. “Se você observar o quanto a empresa usa do capital disponível para a inovação, verá que a porcentagem usada é muito pequena”, argumentou.


De acordo com Chaimovich, a solução para este problema não passa apenas pela construção de instrumentos de incentivo, mas também pela exigência do desenvolvimento de produtos inovadores de alta tecnologia com possibilidades reais de exportação e a criação de um ambiente jurídico seguro.


Site: Agência Gestão CT&I

Data: 07/04/2015

Hora: 16h48

Seção: ------

Autor: Leandro Duarte

Link:http://www.agenciacti.com.br

Venha fazer parte da nossa equipe de vencedores. Cadastre seu currículo.

Copyright © 2011-SindInformática - Todos Direitos Reservados

Avenida Anhanguera, nº 5674, sala 401, 4º andar - Setor Central - CEP: 74.043.011 - Goiânia/GO. Fone: (62) 3942.9499 | (62) 3942.9599

Produzido por